PS Vita, o prodígio abandonado pelos pais

Tudo começou com este rumor postado pelo Kotaku em 2009, era de um portátil que teria o mesmo poder gráfico do Xbox Original. Em 2010, o site IGN, conseguiu algumas fotos do que parece ser um protótipo. Apelidado de PSP2, ele tinha o mesmo layout do PSP Go, muitos alegavam que a foto era falsa.

A Sony disse aos licenciados que, o PSP2 é tão poderoso quanto o PS3 – MCV

Em 2011, o Eurogamer postou uma foto da forma final do novo Next Generation Portable, seu primeiro nome, confirmando de uma vez que um novo portátil estava em desenvolvimento. Até Kaz Hirai anunciar seu nome oficial: PlayStation Vita, que segundo ele, “Vita” significa ‘vida’ em latim, o substituto perfeito do então bem sucedido, PlayStation Portable.

O Portátil foi lançado 17/12/2011 no Japão, 15/02/2012 no EUA e 22/02/2012 no Brasil. Atualmente, o seu preço nos EUA é de $199,99 na Amazon.com, no Brasil seu preço gira em torno de um pouco mais de R$ 900,00 reais, ou mais de mil na pior das hipóteses. É, bem carinho se comparado com seu concorrente direto, o Nintendo 3DS.

Há uma razão do porque ele é caro, clique aqui e veja suas especificações no site oficial da Sony.

Viu quanta coisa ele tem por dentro? Achou muito para um portátil? Só faltou o recurso de telefonia, já que alguns modelos contam com entrada para SIM Card, aplicativos sociais e conectividade 3G como nos smartphones. O PS Vita tem poder de sobra para rodar jogos com gráficos bem próximos dos consoles da 6º geração, bem mais que o Nintendo 3DS. Mas como já vimos nessa industria vital: Poder, não é nada quando nem todos sabem aproveita-lo.

No entanto, o PS Vita não vingou como seu antecessor do lado ocidental das coisas, já que no Japão, ele continua briga bonito com seu valentão Nintendo 3DS.

Há muitas razões do porque o PS Vita com todo seu poder, não deu certo no ocidente. Vamos a algumas delas.

1: PS Vita vs Smartphones/Tablets

O portátil  vem sendo desenvolvido desde 2009, na época, os smartphones não eram nenhuma ameaça, as pessoas tinham consoles de mesa e nos bolsos (PSP ou Nintendo DS),  então, 3 longos anos se passaram.

Quando o pobrezinho veio em 2012, o mundo havia mudado completamente. Hoje são centenas de smartphones de diversas marcas e qualidades a disposição de quem tivesse algum dinheiro para gastar. Um aparelho mediano pode rodar jogos no mesmo padrão do PS Vita e ainda fazer muitas outras coisas com seus apps, além da total praticidade de ter quase tudo em suas mãos. Sem contar no preço dos jogos, que são mais baratos nos smartphones, ou até de graça (mesmo você pagando com micro-transações para vencer).

Para que vou querer um portátil dedicado se meu celular já roda jogos e faz ainda mais? Para que vou gastar mais em jogos de um console portátil se posso pagar mais barato no smartphone?

Mesmo o PS Vita sendo para o mercado que procura jogos em hardware dedicado e com controles físicos, a grande maioria não está disposta a pagar mais por isso.

2: Um tal de Nintendo 3DS

A Nintendo sempre foi forte em seus portáteis desde o Gameboy, e seus consoles de mão sempre contaram com forte apoio de suas produtoras e seus pactos de exclusividade. Com o 3DS não foi diferente, mesmo com a Nintendo sendo seu alicerce em vários jogos, as thirds abraçaram a plataforma. Como resultado,  o concorrente direto do PS Vita acumula mais de 60 milhões de unidades vendidas, e custa bem mais barato (sem falar no modelo de baixo custo, né 2DS), enquanto o Vita nem chegou perto disso e não irá chegar.

Há um questionamento sobre a teoria do PS Vita ter sido prejudicado pelos smartphones e tablets. Pensando neste sentido, o 3DS também recebeu o golpe. Mas lembre-se, a Big N sabe fazer marketing, principalmente com suas franquias consagradas, além de ter abaixado o preço. Com o PS Vita, a Sony hesitou demais, não passou confiança suficiente para seu público, e nem para as produtoras. E falando nelas.

3: Third Parties.

Você compra um console para jogar seus exclusivos certo? Porque o 3Ds vendeu mais? Porque todos queriam jogar os exclusivos da Nintendo e os das produtoras que abraçaram a plataforma. Resultado de que a Nintendo conseguiu vender bem o seu peixe na época.

Infelizmente, a Sony falhou grosseiramente em passar uma primeira impressão convincente, seus jogos definitivos demoraram para chegar, o que gerou muitas dúvidas sobre ele. Das poucas produtoras apostaram no Vita, só algumas conseguiram extrair o melhor do seu hardware com bons títulos (thirds japonesas que o digam!). A própria Sony tratou com desdem o seu portátil enquanto seu concorrente estava cada vez mais à frente.

Hoje o PS Vita conta com vários jogos bons e interessantes em sua biblioteca, o portátil roda os jogos do PSOne e do PSP nativamente. Mas isso veio tarde demais.

4: O PS Vita é seguro demais.

Vamos ser sinceros, a pirataria alavancou a popularidade do PSP depois que os primeiros desbloqueios saíram. Vendendo mais, mais jogos foram sendo lançados para ele, e o resto é história.

Claro que essa história de rodar ISOs desagradou as thirds do PSP. A Sony atendeu as produtoras. Mas isso teve o seu preço.

A Sony adotou uma mídia proprietária para jogos no PS Vita, e um cartão de memória proprietário também. E OBRIGATÓRIO!

Lembra do Memory Stick? A memória do PS Vita, é idêntica ao Memory Stick M2, com sutis diferenças, e claro, com outra criptografia e barramento.

 

Esse é o Memory Stick M2, hoje é utilizado em qualquer dispositivo compatível.

Esse é o cartão de memória do PS Vita.

Houve uma época que as empresas queriam impor o seu padrão a qualquer custo, a fim de emplacar no formato e ganhar uns trocados a mais, obrigando o consumidor a continuar comprando apenas dela. Era uma zona de formatos e conexões proprietárias. No final, os padrões universais foram sendo adotados e se popularizaram. O problema da Sony, foi vender algo obrigatório por um preço abusivo.

Hoje, o cartão de 64GB do Vita na Americanas.com está quase 800 reais (27/04/2017)

Um cartão SD, de mesma capacidade na mesma loja virtual, está em quase 120 reais na mesma data 27/04/2017.

Vamos comparar também com o velho Memory Stick, este no Mercado Livre (o único que encontrei a venda), está quase 40 reais (com frete).

E não, os preços não são problema só Brasil, a Sony cobra um valor bem salgado em cima de seus produtos aqui e lá fora também. O Custo Brasil só piora.

A obrigatoriedade deste cartão proprietário e o seu alto preço, foram um tiro no pé. Muitos se sentiram lesados em saber que não poderiam salvar seu progresso sem o cartão de memória, nem baixar jogos na PSN. Dando ainda mais ibope para o Nintendo 3DS, que aceita cartões SD, além de vir com um básico na caixa.

Hoje, o modelo atual do PS Vita vem com um cartão de memória proprietário com apenas 1GB de espaço.

Claro, assim como o PSP, o PS Vita também recebeu seus primeiros desbloqueios via software para versões antigas do sistema, sendo a 3.60 a mais desbloqueada.

Henkaku, VHBL, Ark e CFW, são os conhecidos. Ambos dão ao jogador, possibilidades em rodar homebrews, softwares que permitem desde subir programas e emuladores, até jogos comerciais do PSP ou do próprio Vita. No entanto, ao contrário do PSP, a pirataria no PS Vita é menor graças a sua estrutura, ao empenho da Sony nas atualizações, e a sua baixa popularidade no ocidente.

5: Atropelado por ele mesmo.

É isso mesmo, a Sony lançou uma versão do PS Vita em forma de console, o PlayStation TV. Contando com o mesmo hardware, as únicas diferenças são, a saída HDMI, e o controle de PS3 que você TEM que comprar a parte.

Agora não tem mais motivos para comprar o Vita mesmo, afinal, está ficando perigoso demais andar por aí com um portátil.

6: Descaso e abandono.

Com todos esses problemas somados a patetice da Sony, o PS Vita não bateu nenhuma das metas esperadas pela empresa. Resultado, o PS Vita perdeu totalmente sua prioridade. A Sony decidiu concentrar seus esforços no PS4. E cá entre nós, isso não é nenhuma surpresa. Com o PS4 com forte hype e começando a vender mais em 2013/2014, os esforços foram todos direcionados para ele.

Mas o que doeu na alma, foi a Sony passar a tratar o PS Vita como uma segunda tela do PS4, dando mais destaque a função Remote Play, além de já ter afirmado que o Vita não recebera mais jogos da casa, deixando o portátil nas mãos das poucas thirds que tem, além dos indies.

7: O fim está próximo (no ocidente por enquanto)

Com a Sony tratando o PSVita com desprezo, os poucos que acreditam nele estão tentando dar-lhe uma sobrevida. Desde jogos indies até desbloqueios para rodar emuladores e homebrews.

No entanto, sua vida talvez já esteja com seus dias contados. O Gematsu publicou hoje que a produção de “cartuchos” do PS Vita irá se encerrar 31 de março de 2019 nas Americas e Europa. Limitando os atuais proprietários a depender 100% da PSN e dos cartões de memória proprietários.

8: Conclusão

O PS Vita poderia ter sido muito mais se a Sony tivesse feito o serviço direito aqui no ocidente. Tirando o Japão, onde o PS Vita é forte e vive.

Infelizmente, o PS Vita chegou numa péssima hora onde os smartphones e seus jogos casuais dominaram todo um mercado no ocidente. Não que isso seja ruim, mas como convencer um consumidor a comprar um console que só roda jogos, se ele já tem um celular que roda jogos e faz centenas de outras funções?

Foi azar da Sony, ou sorte demais da Nintendo? Essa pergunta deixo a você.

Até breve o/

 

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